Mostrando postagens com marcador TRANSPORTE. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador TRANSPORTE. Mostrar todas as postagens

quarta-feira, 2 de setembro de 2009

RODOVIA, FERROVIA OU HIDROVIA: QUAL A MELHOR OPÇÃO PARA A AMAZÔNIA?


NOVOS CAMINHOS
Miriam Leitão.
Retirado do Jornal O Globo

O prazo de retorno do investimento em rodovia na Amazônia é de 14 anos; em ferrovia, de nove anos; e em hidrovia, de três anos. A emissão de carbono em rodovia é oito vezes maior do que em hidrovia. É preciso 200 carretas para transportar a carga de seis barcaças. Por um estudo do Ilos (Instituto de Logística e Supply Chain), do ponto de vista econômico e ambiental, o rodoviarismo do PAC não faz sentido.

É preciso pensar em outros modais, e incluir a conta ambiental antes das decisões, explica o professor Paulo Fernando Fleury, da equipe que preparou o estudo para um seminário do instituto, em setembro. Na Amazônia, em vez de pensar sempre em rodovias, o governo deveria comparar outros meios de transporte.

O estudo compara as possibilidades de se chegar ao Porto de Santarém, que de acordo com a projeção sobre o escoamento futuro da soja é bastante competitivo. Uma possibilidade seria uma ferrovia de 1.650 quilômetros, ligando Sinop, em Mato Grosso, a Santarém, no Pará. Outra possibilidade seria viabilizar a movimentação da soja pela hidrovia Teles Pires-Tapajós. A hipótese rodoviária seria a BR-163, cuja pavimentação é prevista no PAC (Programa de Aceleração do Crescimento). O Porto de Santarém tem um terminal com capacidade de armazenamento de 60 mil toneladas e sua ampliação está temporariamente suspensa por razões ambientais.

O mais interessante do estudo é que quando ele simula os outros modais é possível ter uma noção do que o governo deveria fazer, e não faz, nas obras que impõe ao país: não compara alternativas numa avaliação mais ampla de custo e retorno. Normalmente, se vê apenas o investimento inicial. Ele, de fato, é menor na hipótese rodoviária. Seria de R$ 1,55 bilhão o investimento necessário para acabar de pavimentar a BR-163; na ferrovia projetada, o custo seria de R$ 4,15 bilhões; na hidrovia, R$ 2,9 bilhões.

Num primeiro olhar, parece que o custo da rodovia é mais baixo, mas o estudo do Ilos foi adiante. Viu a manutenção, por exemplo. Numa rodovia, ela teria que ser feita a cada nove anos; numa ferrovia, após 20 anos; e numa hidrovia, a cada 30 anos. O prazo para retorno do investimento seria de 14 anos na rodovia, nove anos na ferrovia e três anos na hidrovia. O custo do transporte seria de R$ 94,7 por tonelada a cada 1.000 quilômetros na rodovia; R$ 56,9, na ferrovia; R$ 42, na hidrovia. O que, na rodovia, exigiria 200 carretas para transportar pode ser levado em um trem de 77 vagões ou um comboio de seis barcaças.

O estudo mostra que, apesar de uma rodovia na Amazônia exigir um investimento menor inicial, ela tem um custo maior de manutenção, um frete mais caro, transporta menos e polui muito mais. Isso, sem considerar outros custos ambientais, como o incentivo ao desmatamento que uma rodovia na Amazônia produz. O estudo calcula que só no combustível queimado no transporte, a emissão de carbono numa rodovia é oito vezes maior do que numa hidrovia, e numa ferrovia é 1,7 vezes maior do que na hidrovia.

— O consumo de diesel da ferrovia seria quase duas vezes o da hidrovia, o consumo de diesel da rodovia seria cerca de 17 vezes o da hidrovia — diz Fleury.

O objetivo do estudo é imaginar o futuro do escoamento da soja, levando-se em conta que haverá maior adensamento da produção da soja no interior do país, que precisará chegar aos portos. Em 2007, foram produzidas 29 milhões de toneladas de soja para exportação; em 2020, a projeção indica que o país estará produzindo 59 milhões de toneladas: duas vezes mais. Em todos os cenários, os portos de Santarém e Paranaguá “apresentam elevado potencial de crescimento na movimentação da soja”. Pelo estudo, “com infraestrutura adequada e otimização logística de exportação de soja é possível reduzir em até 9,5% os custos atuais”.
Fleury diz que como o aumento da produção será grande — 30 milhões de toneladas — todos os portos podem ter aumento de volume, mas alguns são bem mais competitivos do que outros. As obras têm que ser previstas dentro dessa visão integrada que busca o mais eficiente do ponto de vista logístico. Do contrário, o governo acaba dispersando recursos.
A falta de avaliação mais ampla do que seja custo faz o governo optar preferencialmente por rodovias na Amazônia, que são mais caras quando se avalia outros itens de custo; incentivam o desmatamento; e aumentam as emissões de gases de efeito estufa que serão cada vez mais uma restrição para as empresas e para os países.

Dias atrás, grandes empresas e entidades do país assinaram uma carta se comprometendo a medir anualmente tudo o que emitem de gases de efeito estufa, na sua atividade produtiva; o inventário de emissões.

E se comprometem a reduzir essas emissões. Isso seria mais fácil se, num programa como o PAC, fosse considerada a variável ambiental. Com ela, aumentaria a competitividade de obras que viabilizassem modais menos poluentes. As empresas não assumem esse compromisso apenas para ficar bem na foto do ambientalmente correto, mas porque no futuro o carbono será taxado, e as exportadoras serão cobradas pelos seus clientes no mundo desenvolvido sobre o grau de emissão das suas atividades produtivas.

O governo reage às cobranças dos órgãos ambientais às obras do PAC na Amazônia como se fossem barreiras ao crescimento. Se tivesse uma visão mais abrangente poderia concluir que o meio ambiente é o indispensável aliado do novo desenvolvimento, e a variável que falta nas suas equações.

PASSAGEM SUBTERRÂNEA: É ISSO MESMO?

Dando uma navegada na internet visitei como de costume o blog do ex-prefeito de Manaus, Serafim Correa (blogdosarafa.com.br). A postagem de 01 de setembro apresenta duas maquetes dos projetos de passagem subterrânea no cruzamento das Avenidas Paraíba e Efigênio Sales. Uma é referente ao projeto idealizado na administração de Serafim e a outra é do projeto que está sendo executado pelo atual prefeito Amazonino Mendes.

De cara fiquei surpreso ao tomar conhecimento de que o projeto havia sido alterado. Sinceramente pensei que a atual administração municipal iria dar continuidade ao projeto original. Mas vamos levar em consideração que fosse verificada a real necessidade da mudança. Nesse caso, a lógica seria que a mudança (ou as mudanças) viesse proporcionar melhorias ao projeto anterior. Concordam? Acho que os técnicos de Amazonino não pensam dessa forma.

Se realmente o projeto em execução for o apresentado pelo engenheiro amigo do Serafim e postado em seu blog a obra trará novos problemas ao trânsito. Evidente que ela terá seus pontos positivos, mas a dor de cabeça continuará neste trecho para os motoristas dependendo do traslado que pretendam realizar.

Fico pensando quem seriam os responsáveis pela fiscalização e autorização de obras como essa. Fico me questionando: quem é que aprovou esse projeto e suas mudanças? A própria prefeitura de Manaus? Se assim for, é mais fácil acreditar que valerá a vontade do mandatário (e em muitos casos sem questionamentos dos técnicos). Se for a Câmara Municipal de Manaus, acreditando-se na independência do poder, podemos crer que deve ter havido negligência. Sinceramente não sei, mas gostaria de saber.

Espero que o engenheiro amigo do ex-prefeito Serafim Correa esteja equivocado, pois se assim não for, os problemas de trânsito nas esquinas em comento terão novos problemas. Lamentável!

Segue abaixo a postagem do blogdosarafa. Confiram!

-------------------------------------------------------------------------------------------------

VAMOS COMPARAR
publicado no blogdosarafa.com.br

Recebi de um engenheiro amigo um estudo em que compara o projeto que deixei pronto para resolver o eterno engarrafamento do cruzamento da Efigênio Sales com Umberto Calderaro, antiga Paraíba, com o projeto que está sendo implantado pela atual administração. Veja as fotos e as explicações e tire suas conclusões.
Veja como seria o projeto do Prefeito Serafim:


a) O motorista que seguisse pela Umberto Calderaro poderia seguir no mesmo nível para o Parque Dez, fazer conversão à direita no sentido da Bola do Coroado e à esquerda no sentido do Viaduto Miguel Arraes. Quem saísse do Posto Tupinambá pelo lado da Umberto Calderaro teria essa mesma liberdade nos três sentidos;
b) Quem trafegasse pela Efigênio no sentido Bola do Coroado - Viaduto Miguel Arraes poderia retornar no cruzamento (no mesmo nível) e voltar à Bola do Coroado, seguir direto através da passagem subterrânea (e não de nível, pois só é passagem de nível quando está no mesmo nível e cruza com linha de trem) ou fazer conversão à direita no sentido do Parque Dez;
c) No sentido Viaduto Miguel Arraes – Bola do Coroado o motorista poderia retornar no cruzamento (no mesmo nível) e voltar no sentido do Amazonas Shopping ou seguir direto pela passagem subterrânea até a Bola do Coroado. Nesse mesmo sentido, para seguir em direção ao Parque Dez, teria que entrar antes à direita na Rua Stênio Neves, seguir até a Umberto Calderaro e descer em direção ao Parque Dez. Quem saísse do Posto Tupinambá pela Efigênio Sales poderia retornar (no mesmo nível) no cruzamento e voltar em direção ao Amazonas Shopping.
Veja como ficou o projeto do Prefeito Amazonino:

a) O motorista que descer pela Umberto Calderaro poderá ir ao Parque Dez passando direto por baixo da passagem subterrânea, fazer conversão à direita no sentido da Bola do Coroado e fazer conversão à esquerda no sentido do Viaduto Miguel Arraes, não sem antes seguir até o passeio do Mindú, fazer retorno à esquerda através de uma alça, voltar pelo contra fluxo da Umberto Calderaro e então dobrar à direita no sentido do Viaduto Miguel Arraes;
b) Quem trafegar no sentido Bola do Coroado - Viaduto Miguel Arraes poderá seguir em frente no mesmo nível, dobrar à direita no sentido do Parque Dez ou retornar à Bola do Coroado seguindo direto até a Rua Adelson Veras, primeira rua à direita depois do Viaduto Miguel Arraes, ir até a Av. Mario Ypiranga, subir o Viaduto Miguel Arraes à esquerda e seguir direto em direção à Bola do Coroado;
c) No sentido Viaduto Miguel Arraes – Bola do Coroado o motorista poderá seguir direto no mesmo nível até a Bola do Coroado. Se quiser retornar deverá seguir direto até a Av. Via Láctea no Conjunto Adrianópolis, seguir por ela, dobrar na primeira rua à direita, seguir sempre à direita até chegar na Umberto Calderaro, passar por baixo da passagem subterrânea, retornar na alça do Mindú e então dobrar à direita na Efigênio Sales em direção ao Amazonas Shopping. O mesmo trajeto pode ser feito para acessar o Bairro Parque Dez passando direto por baixo da passagem subterrânea.
d) Quem sair do Posto Tupinambá e quiser ir ao Parque Dez pelo lado da Umberto Calderaro terá que se espremer lá no canto do posto e tentar cortar o tráfego para acessar a passagem subterrânea. Se quiser seguir em direção ao Amazonas Shopping terá que fazer o mesmo procedimento anterior, retornar na alça do Mindú, voltar no contra fluxo e dobrar à direita na Efigênio Sales.

terça-feira, 5 de maio de 2009

MEIA PASSAGEM

A luta eterna dos estudantes
Quando eu era estudante universitário participei de inúmeras manifestações como membro do movimento estudantil. Obtivemos muitas vitórias, é verdade! Uma delas foi a garantia da permanência da meia passagem aos estudantes. Os empresários do sistema de transporte urbano volta e meia querem acabar com esse benefício legítimo dos estudantes alegando que ele encarece o valor da passagem. Hoje vejo que esse argumento tinha (se não é que ainda tem) o objetivo de pressionar o poder público a proporcionar vantagens, ainda maiores, às empresas detentoras da concessão do transporte urbano. Como os estudantes sempre se mobilizam e não permitem o fim do benefício, o poder público é obrigado a buscar outras alternativas para que o valor da passagem não aumente. Foi assim que os incentivos fiscais para este setor foi instituído e o direito do estudante à meia passagem foi preservado.

Concluí o curso superior em 1999 e dez anos depois vejo que a história se repete. Os estudantes novamente voltam às ruas para tentar garantir o direito deles à meia passagem. Desde o ano passado que esse assunto polêmico é discutido, mas a sociedade se mantém, aparentemente, indiferente à ele. A alternativa dos estudantes foi parar uma das principais avenidas da cidade bem na hora do rush. O caos se instalou em parte da cidade de Manaus. É justa a manifestação? A forma que foi feita é a mais correta? Os estudantes têm o direito de “parar a cidade”? As perguntas são inúmeras, mas cada segmento da sociedade utiliza as ferramentas que estão ao seu alcance na tentativa de assegurar os seus direitos. Conversas já ocorreram com os vereadores e os empresários do sistema de transporte. Audiências públicas foram realizadas. Mesmo assim, a sociedade pouca importância deu à causa. Talvez agora ela tome conhecimento do que os estudantes estão temendo.

Sinceramente não concordo com manifestações como a que ocorreu ontem, mas concordo que os estudantes deveriam fazer algo para mostrar que são contra o fim ou redução das meias-passagens de forma mais incisiva. Acredito que a paralisação da rua por um tempo menor era o suficiente ou até mesmo uma panfletagem para buscar apoio da sociedade à causa. Como a greve para os trabalhadores, o bloqueio de ruas é a alternativa radical dos estudantes.

O meu amigo Emmanuel de Aguiar postou em seu blog (clubedabaladeira.blogspot.com) um artigo interessante, o qual transcrevo abaixo, onde ele aborda a atual situação do transporte urbano na cidade de Manaus de um modo geral. Espero que o direito legítimo dos estudantes seja preservado, como assim foi no passado.

Transporte Coletivo - Cadê você Vereador? (retirado do clubedabaladeira.blogspot.com)

Decididamente o sistema de transporte coletivo de Manaus é sem dúvida a coisa mais imoral e mais decadente da vida urbana e política da cidade de Manaus. Nada se compara a essa mazela que há anos aflige a sociedade amazonense, em particular aqueles que dependem do sistema. O que mais intriga, entretanto, é a facilidade com que os políticos conseguem legislar em benefício das empresas e na contramão dos interesses do usuário do sistema. São rápidos e rasteiros na hora de legislar e aprovar a redução da meia passagem, por exemplo, porém lerdos e, desculpem-nos a sinceridade, excessivamente covardes na hora de investigarem os prejuízos aos cofres públicos causados por um sistema falido, como é o caso do sistema expresso, onde as plataformas de chegada e saída de passageiros, espalhados pela cidade e que custaram em média 150 mil reais cada uma aos bolsos dos contribuintes, estão abandonadas e praticamente destruídas. Repito: 150 mil reais cada plataforma. Senhores vereadores: dá para ter uma idéia de quantas meias passagens cada plataforma dessa abandonada representa? E aí! Vai ficar por isso mesmo? Eu acho que já ficou!

O sistema continua falido e o povo que depende dos ônibus está entregue a própria sorte. Alguém tem dúvida disso? E não esperem muita coisa pela frente! As empresas - só Deus explica como - conseguem com enorme facilidade sensibilizar os vereadores a reduzirem o número de meia passagem de 122 para 44. Por mais que tenham razão, a pergunta é a seguinte: o que o usuário está ganhando com essa medida? A resposta é simples: nada - absolutamente nada! Não dá para esperar nada de um sistema falido. Não se pode esperar nada de um grupo de empresas de quinta categoria que não cumpre contrato, explora e não paga direito seus empregados, não recolhe impostos, não cuida da frota, polui, suja, lambuza, etc. etc. É esse o sistema que está aí nas ruas servindo a população. Tudo é ruim! Da gestão à fiscalização E o que pior! Subsidiado pelo Estado e pelo Município. A coisa é explicitamente tão boa que nenhum deles pensa em largar do osso. Reclamam, porém é só jogo de cena. Nenhum deles pensa em largar do osso. A próxima meta, como já disse, é o aumento da tarifa, para que os lucros sejam atualizados, obviamente. Se você pensa que é para melhorar a vida do usuário, pode tirar o cavalinho da chuva.
De teimoso, antes de encerrar eu gostaria de perguntar aos nobres vereadores da nossa cidade: cadê o discurso de campanha? cadê a nova licitação para acabar com a pouca vergonha do sistema que está aí implantado? cadê a CPI do sistema expresso? cadê as centenas de novos ônibus prometidos? Cadê a presença dos senhores nas paradas dos ônibus para acompanhar o sofrimento de quem depende desse sistema e explicar a eles por que não muda coisa alguma? Cadê a presença dos senhores dentro dos ônibus para conhecer os riscos não só de andar em coletivos em péssimas condições, mas dividir com eles os dramas dos assaltos que acontecem semana sim, outra também? Cadê você vereador?