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quinta-feira, 9 de abril de 2009

O SENTIDO TEOLÓGICO DA SEMANA SANTA

A SEMANA SANTA


"Chegado ao meio-dia,houve trevas por toda a terra,até às três da tarde. Às três horas, Jesus exclamou em alta voz:"Eloì, Eloì, lema sabactàni?"que quer dizer:Meu Deus, meu Deus, porque Me abandonaste? (...)Soltando um grande brado, Jesus expirou. (...)Ao vê-Lo expirar daquela maneira,o centurião, que se encontrava em frente d'Ele, exclamou: "Verdadeiramente este homem era o Filho de Deus". Do Evangelho de S. Marcos 15, 33-34.37.39


A Semana Santa é a ocasião em que é celebrada a paixão de Cristo, sua morte e ressurreição. A semana santa foi celebrada pela primeira vez no ano de 1682, através do Concílio de Niceia, advinda do Papa Silvestre I, onde os ensinamentos da doutrina católica tornam-na como religião oficial do Império Romano.

Com a celebração do Domingo de Ramos teve início a Semana Santa, que culmina com o Domingo de Páscoa. Trata-se do tempo litúrgico mais importante na Igreja, pois, através da Paixão, Morte e Ressurreição de Cristo, se tornou pleno o Mistério da Salvação.
Pelas ruas de Jerusalém, aclamado com ramos, Jesus entra triunfante. É o dia que ficou conhecido como Domingo de Ramos. Dias depois, o clamor muda de tom e os gritos se fazem ouvir.Ele veio para que os homens sejam salvos e a vitória chega ao cume na Ressurreição, na festa da Páscoa. Há dois milênios, este fatos são atualizados e recordados através da Semana Santa, chamada "Semana Maior".

A Quaresma é um tempo de preparação para este tempo litúrgico, que culmina no domingo de Páscoa. Segundo os evangelhos, a crucificação e morte de Jesus Cristo aconteceram durante a Páscoa dos judeus. Uma celebração que tem origens mais antigas do que a libertação do Egito. O povo de Israel adotou esta tradição existente na Palestina e, após a saída do Egito, foi dado um novo sentido à Páscoa. A Pessach, Páscoa em hebraico, significa "passagem", ou seja, passagem da escravidão do Egito para a libertação do povo de Israel.


A tradição cristã assumiu a data como a vitória de Jesus sobre a morte. Os modos de recordar o mistério da Paixão de Cristo passaram por mudanças ao longo dos séculos, chegando à forma litúrgica atual. Porém, toda beleza e profundidade corrrem risco de uma interpretação superficial, afirma o especialista em História da Igreja, Padre Flávio Cavalca de Castro.

Fonte: site Canção Nova

quarta-feira, 1 de abril de 2009

AS AMAZONAS PERDERAM

AS AMAZONAS PERDERAM
“A vitória foi do preconceito e do cinismo de homens que mesmo dentro de um parlamento continuam massacrando as mulheres”

Como publiquei semana passada, na Câmara Municipal de Manaus (CMM) debates fervorosos ocorreram por conta da proposta do vereador Leonel Feitoza (PSDB) que objetivava conceder título de utilidade pública à Associação das Prostitutas do Amazonas - As Amazonas.

O projeto de lei 129/2008 defendia o direito de prostitutas, gays e lésbicas receberem benefícios de serviços públicos e de serem reconhecidos como pessoas e terem dignidade. Segundo o vereador do PSDB, o projeto visava beneficiar mais de 300 mulheres associadas na entidade, para que tenham melhor qualidade de vida. A proposta recebeu fortes críticas, principalmente da bancada evangélica da Câmara.

A polêmica iniciada semana passada terminou nesta terça-feira, 31, com a rejeição do mesmo pelo plenário da CMM. Por 19 votos a 9, os 28 vereadores presentes votaram contra o parecer da 11ª Comissão, de Assuntos Sociocomunitários. O projeto foi arquivado.

Segundo o site da CMM (http://www.cmm.am.gov.br/), embora o vereador Feitoza tenha insistido no seu ponto de vista de que o projeto não estaria legalizando a prostituição, mas sim dando utilidade pública a uma associação que está trabalhando em benefício de um segmento social discriminado, não conseguiu convencer a maioria dos vereadores. Leonel Feitoza lembrou que a CMM já aprovou uma lei em 2004 que torna de utilidade pública a Associação Amazonense de Gays, Lésbicas e Travestis, e que, portanto trata-se de uma entidade assemelhada.

O vereador chegou a citar a frase bíblica na qual Jesus desafia uma multidão que tentava apedrejar uma prostituta: "Quem não tiver pecado que atire a primeira pedra". Na discussão o presidente da Comissão de Direitos Humanos da casa, vereador Mário Frota (PDT), disse que "não havendo nenhuma razão técnica e judicial para rejeitar este projeto, vou entender como um ato de puro preconceito" o posicionamento contrário dos colegas.

Vereadores médicos como Homero Leão (PHS) e Dr. Denis (PTB) recorreram ao argumento da questão de saúde pública que envolve o trabalho da associação que necessitaria do título de utilidade pública para poder conveniar com os poderes públicos serviços e ações de saúde em favor das prostitutas. Mas ao final da votação o placar do painel eletrônico apontou a derrubada do parecer favorável por 19 votos a 9.

O blog do Holanda (
www.blogdoholanda.com) noticiou o arquivamento da proposta assim:

VENCEU A INTOLERÂNCIA
Em 31/3/2009

Por 19 votos contrários e nove a favor, o plenário da Câmara Municipal de Manaus decidiu arquivar o projeto que concedia o título de utilidade pública à Associação das Prostitutas do Amazonas. O título é necessário para credenciar qualquer instituição da sociedade civil a participar de convênios com o poder público.

Foi uma vitória da intolerância e uma derrota da cidadania. Os evangélicos comemoraram. O ato simbolizou um novo apedrejamento de Maria Madalena, a personagem bíblica que vendia o seu corpo e teve, segundo os evangelhos, a proteção de Jesus. A mesma proteção que pastores, como o vereador Marcel Alexandre, negaram hoje.

Simbolicamente, os votos contra foram pedradas contra um grupo de mulheres que se reuniu numa associação para discutir doenças sexualmente transmissíveis, o modo de se defender delas e ao mesmo tempo buscar mecanismos para proteção e garantia dos direitos das associadas.

Mas contra o projeto também se insurgiram personagem do mundo cão, como o vereador Henrique Oliveira e outros católicos não praticantes.

Na verdade residiu um exagero no título e no início desta matéria. A vitória foi do preconceito e do cinismo de homens que mesmo dentro de um parlamento continuam massacrando as mulheres – que também deixaram sua marca de preconceito contra o projeto, como foi o caso da vereadora Marise Mendes, ex-secretária de Ação Social e conhecedora dos dramas das prostitutas. Ela votou contra.

quinta-feira, 26 de março de 2009

ASSOCIAÇÃO DAS PROSTITUTAS DO AMAZONAS - AS AMAZONAS

Associação das Prostitutas do Amazonas - As Amazonas
Aqui em Manaus está havendo uma discussão, altamente polêmica, na Câmara Municipal sobre a concessão do título de utilidade pública à Associação das Prostitutas do Amazonas. A entidade, conhecida como "As Amazonas", existe desde março de 2008 e se dedica a amparar e orientar as chamadas "profissionais do sexo. A proposta do vereador Leonel Feitoza (PSDB) defende o direito de prostitutas, gays e lésbicas receberem benefícios de serviços públicos e de serem reconhecidos como pessoas e terem dignidade. Segundo o vereador, o projeto visa beneficiar mais de 300 mulheres associadas na entidade, para que tenham melhor qualidade de vida. Ele citou que os parlamentares têm essa obrigação, "pois quando queremos votos, nós os aceitamos de qualquer pessoa, independente de quem seja ou do que faça para sobreviver".
A proposta recebeu fortes críticas, principalmente da bancada evangélica da Câmara. Em resposta ao discurso do vereador Leonel Feitoza (PSB) que acusou a bancada evangélica da Câmara de Manaus de intolerância, o vereador e pastor do Ministério Internacional da Restauração (MIR), Marcel Alexandre (PMDB), negou que tenha discriminado alguém e sustentou que não é contra a associação. Marcel disse que como pastor faz parte da instituição que mais recebe pessoas sem discriminação. "Não sou anti-prostituta nem anti-gay. Sou pró-família, sou pró-sociedade organizada, sou a favor de uma sociedade que caminha valorizando seus princípios e aquilo que crê", frisou o vereador, dizendo que concorda que a associação precisa de ajuda, mas que o Legislativo não pode tornar isso uma lei. "Não podemos fugir da realidade de que o que a gente faz aqui repercute como senso de valor na sociedade e temos que ter responsabilidade, pois podemos achar que estamos fazendo um beneficio e estarmos fazendo um mal maior", falou.
Muitas foram as manifestações nos quatro cantos da cidade, sejam à favor e contra a proposta. Duas opiniões me chamaram a atenção. Uma publicada no blog clubedabaladeira (http://clubedabaladeira.blogspot.com/), do meu amigo Emmanuel de Aguiar, intitulada "Intolerância do Apóstolo". Outra foi a da jornalista Hermengada Junqueira postado no blogdoholanda (http://www.blogdoholanda.com/) com o título "Quanto Despreparo". Ambas seguem abaixo para os leitores deste blog. Sugiro, inclusive, que visitem também os blogs em comento.
Clube da Baladeira
Intolerância do Apóstolo, por Emmanuel de Aguiar
Do vereador e apóstolo Marcel:“A votação e tudo que a gente faz interfere no conceito dasociedade que nos elegeu para defender os seus interesses.”

De minha parte o vereador está redondamente equivocado. Os meus interesses não rimam com intolerância religiosa. Se o vereador acredita mesmo no que declarou, tentando justificar a sua intolerância à sociedade, fico curioso em saber qual será a sua justificativa para aceitar se vestir e se calçar para trabalhar metendo a mão no bolso do contribuinte todos os anos?
Eu tolero a idéia do título de utilidade pública para a Associação das Prostitutas e vou explicar por que mais adiante, mas não tolero ver meterem a mão no meu bolso e de todos os contribuintes, inclusive na bolsa das prostitutas, para pagar kit paletó para político andar engomado e arrumadinho.

Enquanto a prostituta, sem máscaras, vende o corpo nas praças públicas, nas esquinas, bares e boates, a grande maioria tentando sobreviver, gente da elite política, e não são poucos vereador Marcel, basta ler e ouvir os jornais todos os dias, vendem o corpo e a alma em troca de votos, cargos e perpetuação no poder. Será que estamos mentindo vereador? E aí! Cadê o seu discurso de intolerância em relação a isso e outras coisas graves, gravíssimas, que estão acontecendo diante do seu nariz? Ou será que vai nos dizer que não está acontecendo nada!

Mas, já que o nobre vereador é religioso, creio que não precisamos lembrar que prostituição e prostitutas existem desde antes de Jesus Cristo. E mais! Daquele tempo para cá, os poderes públicos e os homens públicos como o senhor, caro vereador, eleitos inclusive com o voto das prostitutas, e que teriam o dever de encontrar a solução para esse problema, em vez disso só conseguiram mesmo é afiar a língua, atrofiar as idéias e engrossar o discurso da intolerância.

Cansadas de esperar por políticos e por políticas públicas decentes, as prostitutas se organizaram e agora querem apenas um instrumento para que elas mesmas possam correr atrás de ajuda e benefícios que, pela constituição, é um direito de todos. Se o vereador acha que não ficou devendo desculpas às prostitutas pela sua postura e intolerância diante do assunto, pelo menos quando encontrar uma delas, quem sabe até uma eleitora sua, que tenha pelo menos a dignidade de agradecer o voto, o salário, as mordomias e o kit paletó que recebe para andar engomado e arrumadinho. Ela também paga por tudo isso e muito mais.

Por aqui vamos continuar atentos. Se meu vereador, que alias também é religioso, seguir essa linha de intolerância, uma coisa é certa – vão ficar sem o meu voto e de muitos outros.
Blog do Holanda
Quanto Despreparo, por Hermengada Junqueira
SOBRE A CONCESSÃO DE TÍTULO À ASSOCIAÇÃO DAS PROSTITUTAS - Acho muito engraçado que os vereadores ainda se permitam aceitar posturas tão sectárias ...
Não faz muito tempo – menos de um mês – se discutiu, quase à exaustão, o caso do bispo de Olinda e Recife, que excomungou quem tivesse participado do aborto da menina de 9 anos de idade. O caso ganhou as manchetes do mundo; colocou-se em xeque a posição da igreja católica que o bispo representa, considerada conservadora, atrasada, retrógrada, etc. Esta coluna, mesmo, foi escolhida para fórum de observações e debates sobre o tema. E quando se pensava que a questão estava assentada, eis que surge polêmica parecida. Desta vez, também com conteúdo religioso, mas de outra igreja, evangélica.
O foco da questão, o projeto de lei apresentado pelo vereador Leonel Feitoza que concede título de utilidade pública à Associação das Prostitutas do Amazonas, encontrando forte resistência por parte dos vereadores que formam a banca evangélica na CMM. O projeto, diga-se, é correto. Apenas se quer dar à uma associação, a legitimidade para que suas associadas se beneficiem dos recursos e ferramentas sociais que o Estado concede aos cidadãos de modo geral como, de resto, acontece em qualquer País ou Estado civilizado.
Lendo, outro dia, entrevista do filósofo francês Michel Onfray, sobre a posição da Igreja em relação à política e ao Estado Moderno, vi a seguinte observação: é preciso elevar a condição humana e a filosofia preenche um vazio deixado pela religião que já não satisfaz a busca espiritual do ser humano do século XXI. Calma! Não estou aqui pretendendo que ninguém vire ateu. Nada disso. Mas que, diante das aberrações e manifestações desse tipo, dá pra pensar e refletir seriamente, aonde vamos parar se esses líderes se mantiverem dando as cartas!... Que perigo!
O vereador-preconceituoso, tal qual o bispo-reacionário, têm todo o direito de manifestar sua religiosidade e pregá-la ao seu próprio interesse, mas lá, para seus rebanhos... Mas vai uma diferença muito grande quando essa postura se coloca diante da sociedade e tenta influenciá-la, retirando-lhe e modificando-lhe valores essenciais de solidariedade, humanismo, generosidade, compreensão e tolerância. Trata-se de uma questão ética e ética, sinto muito, ninguém aprende com exercícios pirotécnicos de campanhas eleitorais, ou reuniões monumentais de religiões a ou b, em igrejas c ou d.
Acho muito engraçado que os senhores vereadores, em sua maioria, ainda se permitam aceitar posturas tão sectárias, sem a contrapartida necessária dos argumentos recomendados e existentes para contestá-las. Talvez porque a grande maioria é composta de pessoas absolutamente despreparadas e desprovidas de qualquer conteúdo intelectual ou educacional, que o seja. E, lamentavelmente, os que não fazem parte desse coro, se omitem com medo da ameaçada representatividade. Trocando em miúdos: vendem a alma pro diabo mas não votam com o bom senso, com medo de perderem voto na igreja a ou b. Bom, mas pra isso tem a opinião pública, que deve estar sempre atenta. E onde houver um mínimo de atenção, fiquem certos que podem ganhar, conquistar – como conquistam – as mais aterradoras vitórias mas, um dia, sabe-se lá quando, terão que prestar contas com a História!