terça-feira, 22 de novembro de 2011

PARA CONHECER E SABER TRATAR COM PESSOAS, PRECISA HABILIDADE: NÃO É PARA QUALQUER UM!

Por Max Gehringer

Durante minha vida profissional, eu topei com algumas figuras cujo sucesso surpreende muita gente. Figuras sem um vistoso currículo acadêmico, sem um grande diferencial técnico, sem muito networking ou marketing pessoal. Figuras como o Raul. 

Eu conheço o Raul desde os tempos da faculdade. Na época, nós tínhamos um colega de classe, o Pena, que era um gênio. Na hora de fazer um trabalho em grupo, todos nós queríamos cair no grupo do Pena, porque o Pena fazia tudo sozinho. Ele escolhia o tema, pesquisava os livros, redigia muito bem e ainda desenhava a capa do trabalho - com tinta nanquim. Já o Raul nem dava palpite. Ficava ali num canto, dizendo que seu papel no grupo era um só, apoiar o Pena. Qualquer coisa que o Pena precisasse, o Raul já estava providenciando, antes que o Pena concluísse a frase. Deu no que deu. O Pena se formou em primeiro lugar na nossa turma. E o resto de nós passou meio na carona do Pena - que, além de nos dar uma colher de chá nos trabalhos, ainda permitia que a gente colasse dele nas provas. No dia da formatura, o diretor da escola chamou o Pena de 'paradigma do estudante que enobrece esta instituição de ensino'.
E o Raul ali, na terceira fila, só aplaudindo. 

Dez anos depois, o Pena era a estrela da área de planejamento de uma multinacional. Brilhante como sempre, ele fazia admiráveis projeções estratégicas de cinco e dez anos. E quem era o chefe do Pena? O Raul. E como é que o Raul tinha conseguido chegar àquela posição? Ninguém na empresa sabia explicar direito. O Raul vivia repetindo que tinha subordinados melhores do que ele, e ninguém ali parecia discordar de tal afirmação. Além disso, o Raul continuava a fazer o que fazia na escola, ele apoiava. Alguém tinha um problema? Era só falar com o Raul que o Raul dava um jeito. 

Meu último contato com o Raul foi há um ano. Ele havia sido transferido para Miami, onde fica a sede da empresa. Quando conversou comigo, o Raul disse que havia ficado surpreso com o convite. Porque, ali na matriz, o mais burrinho já tinha sido astronauta. E eu perguntei ao Raul qual era a função dele. Pergunta inócua, porque eu já sabia a resposta. O Raul apoiava. Direcionava daqui, facilitava dali, essas coisas que, na teoria, ninguém precisaria mandar um brasileiro até Miami para fazer. 

Foi quando, num evento em São Paulo, eu conheci o Vice-presidente de recursos humanos da empresa do Raul. E ele me contou que o Raul tinha uma habilidade de valor inestimável: ELE ENTENDIA DE GENTE! Entendia tanto que não se preocupava em ficar à sombra dos próprios subordinados para fazer com que eles se sentissem melhor, e fossem mais produtivos. E, para me explicar o Raul, o vice-presidente citou Samuel Butler, que eu não sei ao certo quem foi, mas que tem uma frase ótima: “Qualquer tolo pode pintar um quadro, mas só um gênio consegue vendê-lo"

Essa era a habilidade aparentemente simples que o Raul tinha, de facilitar as relações entre as pessoas. Perto do Raul, todo comprador normal se sentia um expert e todo pintor comum, um gênio. Essa era a principal competência dele.

“Há grandes Homens que fazem com que todos se sintam pequenos. Mas, o verdadeiro Grande Homem é aquele que faz com que todos se sintam Grandes".

segunda-feira, 21 de novembro de 2011

Barcelona: o segredo de um sucesso


A imbatível máquina de títulos do futebol internacional mostra que sua hegemonia começa na produção de novos talentos

Por Pablo Cardona e Borja Lleó, Revista Administradores


Não é comum que um time de futebol concorrente de uma liga importante vença todas as seis competições que disputou em um ano. Mais incomum ainda é esse time conseguir tantos triunfos com um técnico e dez jogadores formados na própria equipe. Além de tudo, três desses jogadores foram finalistas do mais prestigiado prêmio individual do futebol mundial.
Sob qualquer ponto de vista, o Barcelona aprendeu a dominar a arte de vencer. Mas quais são os segredos desse sucesso? Como gerenciar tantos talentos? Seu modelo é sustentável? O que o clube precisa fazer para que sua filosofia e seu estilo de jogo imperem sobre os interesses individuais de cada jogador?
Garimpo
Nossa pesquisa aponta a origem desse sucesso para La Masía de Can Planes, uma antiga casa de fazenda por onde passaram mais de 500 jogadores nos últimos 30 anos. Oriol Tort, responsável pelo modelo de desenvolvimento de talentos do Barça, decidiu transformar o local numa residência para jovens promissores em 1979.
O objetivo desse projeto, pioneiro no futebol europeu, é desenvolver os jogadores como atletas e como pessoas. A preocupação é a de reunir jovens não só com talento para o esporte, mas com empenho em vencer e capacidade de trabalhar em equipe.
Para descobrir talentos, a direção da academia examina muito mais do que a capacidade física e técnica dos candidatos. Os sucessores de Tort citam os exemplos de Pep Guardiola e Carlos Puyol. Apesar de ser fisicamente fraco e lento, a inteligência de Guardiola era tão grande que superou outras considerações. Puyol, por sua vez, não parecia ser um jogador excepcional, mas seu empenho competitivo e ética de trabalho acabaram por ser decisivos.
Escolher os talentos certos é um fator-chave para o sucesso em qualquer organização. Mas como o Barça consegue atrair os melhores, ano após ano? Como consegue convencer as famílias de fora de Barcelona a deixarem seus filhos serem educados em uma escola longe de suas vistas e dos ambientes a que estão acostumados? Para isso, o prestígio de La Masía como a escola que ensina os melhores valores tem papel decisivo.
La Masía conseguiu tornar inseparáveis o desenvolvimento pessoal e a competência técnica. O preparo dos atletas se baseia em três dimensões: atlético-físico, intelectual e moral. O objetivo do clube é preparar pessoas excepcionais, com responsabilidade como alunos, hábitos saudáveis e satisfação com o tipo de vida que escolheram.
As demandas de uma carreira esportiva, as pressões diárias do trabalho em comum e a separação das famílias podem afetar a forma como esses jovens promissores se comportam. Andrés Iniesta lembra o dia em que chegou a La Masía, aos 12 anos: "Parecia que o mundo estava acabando, outra vida começando, e o impacto foi forte". Por isso, o apoio de professores, psicólogos e outros profissionais é essencial.
O plano de desenvolvimento é simples: os treinamentos são totalmente compatíveis com o ensino acadêmico e espera-se que os alunos consigam o melhor nos estudos. Jovens que chegam de outros países merecem atenção especial. A equipe de ensino também oferece acompanhamento pessoal para ajudar os membros do grupo a planejarem suas carreiras.
"Escolher os talentos certos é um fator-chave para o sucesso em qualquer organização. Mas como o Barça consegue atrair os melhores, ano após ano? Como consegue convencer as famílias de fora de Barcelona a deixarem seus filhos serem educados em uma escola longe de suas vistas e dos ambientes a que estão acostumados? Para isso, o prestígio de La Masía como a escola que ensina os melhores valores tem papel decisivo."
Hora do jogo
No campo, os jogadores precisam adaptar-se à filosofia do clube: jogar de forma técnica e atraente. Têm que entender os princípios do sistema da equipe para serem capazes de se integrar rapidamente quando chegar a hora. Nos grupos inferiores, todos jogam o mesmo número de minutos, o que permite o amadurecimento com êxito. O espírito de competição vai sendo injetado pouco a pouco.
José Ramón Alexanco, ex-diretor-técnico das equipes jovens do Barça, explicou que alguns jogadores com grande potencial, como Bojan Krkic, podem subir mais rapidamente do que os outros. A equipe técnica do time analisa com cuidado essas decisões, pois um engano pode abalar a autoestima dos jovens e, consequentemente, seu progresso.
Um momento particularmente delicado ocorre quando os jogadores entram na categoria juvenil. Só os melhores, aqueles que têm realmente potencial para chegar ao time titular, são escolhidos. É também nesse momento que os preteridos são liberados de seus compromissos com o clube, o que sempre leva a atrativas propostas de outros times espanhóis e estrangeiros. Então, como reter os talentos? Alexanco explica: "É aí que entram em cena os valores do Barça".
Os jovens jogadores sabem que o clube tem confiança neles e acreditam que podem chegar ao time titular. Por isso, os astros em formação estão mais dispostos a colocar suas perspectivas de carreira à frente de um salário maior em outro clube. Do ponto de vista do time, esse comprometimento é essencial. Procurar reter a qualquer preço atletas que podem mais tarde sair do clube representa assumir riscos muito altos – além do perigo de grandes prejuízos financeiros.

O século 21 trouxe a necessidade de se adotar um sistema com foco mais global em La Masía. Para recrutar talentos na América Latina, o clube resolveu abrir uma academia semelhante na Argentina, em 2007. Essa iniciativa ampliou a base de jogadores da organização e aumentou o valor de marca do Barça. A formação de um novo centro de treinamento, a Cidade dos Esportes, em Sant Joan Despí, ofereceu uma residência mais moderna aos jovens jogadores. Lá, eles recebem o máximo de cuidado e atenção, e suas rotinas de treinamento nunca são afetadas por atividades da equipe profissional.
A academia é um projeto ambicioso e pioneiro, destinado a permitir que o clube permaneça como o mais efetivo produtor de novos talentos para o futebol do mundo, garantindo que Messi, Xavi e Iniesta tenham seguidores à altura.
Pablo Cardona - é professor de Gestão de Pessoas nas Organizações do IESE Business School (Espanha).
Borja Lleó - é assistente de pesquisas da mesma instituição. O IESE está entre as dez melhores escolas de negócios do mundo. 

quinta-feira, 13 de outubro de 2011

Você é insubstituível


texto recebido por e-mail sem assinatura do autor.

Na sala de reunião de uma multinacional o diretor nervoso fala com sua equipe de gestores. Agita as mãos, mostra gráficos e, olhando nos olhos de cada um ameaça: "ninguém é insubstituível"! A frase parece ecoar nas paredes da sala de reunião em meio ao silêncio.Os gestores se entreolham, alguns abaixam a cabeça. Ninguém ousa falar nada. De repente um braço se levanta e o diretor se prepara para triturar o atrevido:

- Alguma pergunta?
- Tenho sim. E Beethoven?
- Como? - o encara o diretor confuso.
- O senhor disse que ninguém é insubstituível e quem substituiu Beethoven?
Silêncio…

O funcionário fala então:
- Ouvi essa estória esses dias, contada por um profissional que conheço e achei muito pertinente falar sobre isso. Afinal as empresas falam em descobrir talentos, reter talentos, mas, no fundo continuam achando que os profissionais são peças dentro da organização e que, quando sai um, é só encontrar outro para por no lugar. Então, pergunto: quem substituiu Beethoven? Tom Jobim? Ayrton Senna? Ghandi? Frank Sinatra? Garrincha? Santos Dumont? Monteiro Lobato? Elvis Presley? Os Beatles? Jorge Amado? Pelé? Paul Newman? Tiger Woods? Albert Einstein? Picasso? Zico? Etc.?…

O rapaz fez uma pausa e continuou:
- Todos esses talentos que marcaram a história fazendo o que gostam e o que sabem fazer bem, ou seja, fizeram seu talento brilhar. E, portanto, mostraram que são sim, insubstituíveis. Que cada ser humano tem sua contribuição a dar e seu talento direcionado para alguma coisa. Não estaria na hora dos líderes das organizações reverem seus conceitos e começarem a pensar em como desenvolver o talento da sua equipe, em focar no brilho de seus pontos fortes e não utilizar energia em reparar seus 'erros ou deficiências'?

Nova pausa e prosseguiu:
- Acredito que ninguém se lembra e nem quer saber se BEETHOVEN ERA SURDO, se PICASSO ERA INSTÁVEL, CAYMMI PREGUIÇOSO, KENNEDY EGOCÊNTRICO, ELVIS PARANÓICO… O que queremos é sentir o prazer produzido pelas sinfonias, obras de arte, discursos memoráveis e melodias inesquecíveis, resultado de seus talentos. Mas cabe aos líderes de uma organização mudar o olhar sobre a equipe e voltar seus esforços, em descobrir os PONTOS FORTES DE CADA MEMBRO. Fazer brilhar o talento de cada um em prol do sucesso de seu projeto.

Divagando o assunto, o rapaz continuava.
- Se um gerente ou coordenador, ainda está focado em 'melhorar as fraquezas' de sua equipe, corre o risco de ser aquele tipo de ‘técnico de futebol’, que barraria o Garrincha por ter as pernas tortas; ou Albert Einstein por ter notas baixas na escola; ou Beethoven por ser surdo. E na gestão dele o mundo teria PERDIDO todos esses talentos.

Olhou a sua a volta e reparou que o Diretor, olhava para baixo pensativo. E voltou a dizer nesses termos:
- Seguindo este raciocínio, caso pudessem mudar o curso natural, os rios seriam retos não haveria montanha, nem lagoas nem cavernas, nem homens nem mulheres, nem sexo, nem chefes nem subordinados… Apenas peças… E nunca me esqueço de quando o Zacarias dos Trapalhões 'foi pra outras moradas'. Ao iniciar o programa seguinte, o Dedé entrou em cena e falou mais ou menos assim:"Estamos todos muito tristes com a 'partida' de nosso irmão Zacarias... e hoje, para substituí-lo, chamamos:…NINGUÉM…Pois nosso Zaca é insubstituível.” – concluiu, o rapaz e o silêncio foi total.

Conclusão:
PORTANTO NUNCA ESQUEÇA: VOCÊ É UM TALENTO ÚNICO! COM TODA CERTEZA NINGUÉM TE SUBSTITUIRÁ!

quinta-feira, 29 de setembro de 2011

A vida sugada por um ralo de piscina


Por ELIANE BRUM

Sempre que viajo, seja em um ônibus ou avião, olho ao meu redor e penso no que leva cada uma daquelas pessoas desconhecidas para o mesmo destino que o meu. Sei que o destino apenas parece o mesmo no mostrador da sala de embarque, mas que é sempre diferente para cada um de nós. Assim como sei que cada pessoa de fato não carrega uma mala, mas sua história. E que algumas delas suportam um excesso de peso que não pode ser mensurado na balança do check-in. Na véspera de 9 de agosto, talvez alguém possa ter olhado para aquela mulher de olhos verdes, cabelos ondulados, calças pretas, bata estampada e salto alto, e pensado que ela era uma executiva ou mesmo uma assessora parlamentar no voo SP-Brasília das 15h51. Ela recusa a bebida e o lanche que a aeromoça oferece. Aceita uma bala. Gestos casuais, escolhas que nada dizem. Talvez a passageira da janela esteja fazendo dieta. Ou tensa demais para comer ou beber. Ou apenas enfastiada ou enjoada. Nem mesmo alguém com muita imaginação poderia supor que uma parte essencial daquela mulher não está ali, mas presa no fundo de uma piscina há 13 anos.

Odele Souza, este é o seu nome, embarcou naquele avião porque sua filha teve os cabelos, tão parecidos com os dela, sugados pelo ralo da piscina do condomínio em que a família vivia, em São Paulo. A sucção era tão forte que o irmão mais velho puxou a menina de 10 anos com toda a sua força e só conseguiu arrancar um punhado de cabelos. Desde então, Odele vive uma dor que ninguém pode medir: a de testemunhar sua filha crescer e se tornar mulher deitada em uma cama, sem consciência de si mesma. Flavia tem hoje 23 anos.

Em Brasília Odele se encontrou com um homem que também carregava um peso invisível à balança eletrônica. Ele vinha do Rio de Janeiro para encontrá-la. Com a mesma tragédia, ele difere de Odele porque sua dor ainda é carne viva. Este homem é pai. E perdeu sua filha mais velha, também com 10 anos, quando ela brincava numa piscina de fibra de vidro na casa de amigos numa festa de aniversário. Em certo momento, os amigos resolveram sair da piscina em busca de outra brincadeira. Ela ficou. Plantava bananeira quando teve os cabelos sugados pelo ralo. Só conseguiram tirá-la de lá depois de desligar a bomba da piscina. Muito tarde para a menina. Como Flavia, ela era excelente nadadora. Diferentemente de Flavia, ela morreu ali.

Era 12 de fevereiro deste ano. E esse pai não consegue falar de sua perda imensurável sem chorar. Ele é professor de educação física e começou a ensinar sua filha a nadar quando ela tinha três meses de idade. Odele sabe que o choro vai secar um dia. Para ela, foram dois longos anos em que as lágrimas se tornaram parte de seu olhar. Depois, elas foram estancando e agora aparecem em geral à noite, quando se sente muito só entre as paredes do seu quarto. Odele sabe que as lágrimas até podem secar, mas a dor não acaba nunca.

E é por saber disso que ela e esse pai estão ali. Junto com eles há um perito americano, Lawrence Doherty, que foi consultor das leis de segurança nas piscinas aprovadas nos Estados Unidos e na Colômbia, e o brasileiro Augusto Cesar Araújo, representante da Associação Nacional dos Fabricantes e Construtores de Piscinas e Produtos Afins. À noite, no hotel, eles alugam um projetor de slides e acertam os últimos preparativos para a exposição em PowerPoint que farão no dia seguinte para o deputado federal Darcísio Perondi (PMDB-RS), relator da lei federal de segurança nas piscinas que tramita no Congresso. 

terça-feira, 27 de setembro de 2011

Advogado diz que aumento do IPI é inconstitucional


Especialista acredita que governo deveria beneficiar carros nacionais diminuindo a carga tributária, não aumentando a de importados

Há poucos dias, o governo resolveu aumentar a alíquota do IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados) paga pelas montadoras de automóveis estrangeiras. Polêmica, a medida tem divido opiniões. A JAC Motors, por exemplo, anunciou que suspenderá a abertura de sua primeira fábrica no Brasil, devido as dificuldades que o novo imposto acarretará de imediato, já que a companhia ainda é considerada estrangeira.

De acordo com o especialista em direito empresarial Thiago Massicano, o aumento do imposto é inconstitucional. Segundo ele, o tributo deveria ser aplicado para a indústria sobre produtos industrializados, mas sua finalidade está sendo a de diminuir a importação de veículos. "Ele foi aplicado de maneira errada, o correto deveria ser aumentar a alíquota do imposto de importação. O princípio da finalidade tributária está errado", sustenta Massicano. O segundo motivo é que o imposto deveria seguir o princípio da noventena, ou seja, ser aplicado depois de 90 dias.

Para o especialista, o governo deveria estimular o carro nacional de outra maneira: diminuindo a alta carga tributária, e não aumentando a do importado. "Quem está sendo prejudicado nisso tudo é o consumidor, que vai acabar pagando mais caro de qualquer jeito. Os preços do importado e do nacional terão reajustes. É a lei da oferta e procura. E isso não é vantagem nenhuma para o Brasil", acredita. 

terça-feira, 20 de setembro de 2011

INTELECTUAL, POLÍTICO E PARTIDO!


"Os intelectuais que se recusam a sujar as mãos engajando-se na política partidária, ou assumindo um cargo público, são como o cidadão que afastado da política se queixa da sua corrupção. Ao não se comprometer, contribuem para que nada mude."   

Texto recebido por e-mail do Ex-Blog do Cesar Maia [blogdocesarmaia@gmail.com]
                                                                          (Ivan Petrella, diretor acadêmico Fundação Pensar - La Nacion, 16)


1. Anos atrás, o dramaturgo e então ex-presidente da República Checa, Vaclav Havel, debateu com seu amigo, o escritor britânico Timothy Garton Ash, sobre o papel dos intelectuais na política. Eles se perguntaram se é possível ser um intelectual e um político ao mesmo tempo e responderam à pergunta de maneiras diferentes. Para Garton Ash existe uma relação contraditória entre o intelectual e o político. O dever do intelectual é encontrar a verdade e articulá-la da forma mais clara possível.  O político apresenta a parte da verdade que melhor convém ao partido, e não busca a verdade na sua totalidade.


2. Para Havel, os intelectuais são pessoas que dedicaram suas vidas para pensar sobre o mundo e seu país de maneira ampla, além da conjuntura imediata. Isso faz com que sejam pessoas que pensam em longo prazo, que também estão interessados em questões globais. Os intelectuais são, de acordo com Havel, a "consciência da sociedade". Para ele os verdadeiros intelectuais são aqueles que se identificam não com uma ideologia, mas com o futuro incerto da dignidade humana em um mundo turbulento. Tentam perceber o contexto mais amplo, reconhecendo que não existem soluções mágicas e buscando, humildemente, reorientar e melhorar a realidade.               

3. Havel, então, aceita a divisão entre intelectual e político proposta por Garton Ash. Reconhece que a política, por sua natureza, impõe o curto prazo em detrimento do longo prazo. Entende que a política é obrigada a buscar interesses grupais em detrimento dos interesses gerais, que a leva a dizer meias-verdades que satisfazem a maior quantidade possível de pessoas, ao invés de enfrentar a verdade necessária e por vezes incômoda. Descrita dessa forma, a política é o oposto da sensibilidade intelectual.                 

4. Mas para Havel, é justamente por isso que se deve incorporar intelectuais à política partidária; não só podem, mas devem participar, são necessários para criar uma política melhor. Os intelectuais que se recusam a sujar as mãos engajando-se na política partidária, ou assumindo um cargo público, são como o cidadão que afastado da política se queixa da sua corrupção. Ao não se comprometer, contribuem para que nada mude.                 

5. Essa participação "a la Havel", penso, consistiria em pelo menos duas tarefas. Primeiro, o intelectual deve ser a consciência de seu partido. Deve ser a voz crítica que vai impedir que se utilize de qualquer meio para se atingir o fim desejado. Um intelectual não pode tolerar que seu governo minta em relação as estatísticas mais básicas, não pode permitir o capitalismo de amigos, não pode concordar que se use o dinheiro público para financiar propaganda política ou comprar vontades.  Em segundo lugar, o intelectual deve rebelar-se contra uma compreensão da política como mera gestão das demandas do povo. Parte desta tarefa que pertence ao intelectual é ampliar imaginação política do partido, através da busca, em todo o mundo, de exemplos de políticas públicas transformadoras que poderiam ser aplicadas.                  

6. Assim, o intelectual deve responder a agressões com argumentos, e a argumentos com outros ainda melhores. Para isso, deve buscar colocar as ideias, os programas e – usando uma palavra da moda – os relatos no centro da cena. Sua ânsia por ideias faz parte de sua vocação pelo longo prazo; muitas vezes as ideias vivem mais e decepcionam menos do que as pessoas.

Inscrições para a Jornada de Seminários da Feira Internacional da Amazônia iniciam na próxima semana


"a Jornada de Seminários terá como foco questões envolvendo inovação, tecnologias e economias verdes capazes de contribuir para a socioeconomia da região Amazônica."

Por Lisângela Costa

Iniciam no próximo dia 26 de setembro (segunda-feira) as inscrições para a VI Jornada de Seminários, um dos mais prestigiados eventos da Feira Internacional da Amazônia (FIAM 2011), que acontece de 26 a 29 de outubro, em Manaus (Amazonas).  O objetivo é proporcionar a discussão em torno de questões estratégicas para o desenvolvimento regional, bem como difundir o conhecimento sobre a Amazônia e gerar subsídios para a orientação de políticas públicas. As inscrições são gratuitas.


Nesta edição, a Jornada de Seminários terá como foco questões envolvendo inovação, tecnologias e economias verdes capazes de contribuir para a socioeconomia da região Amazônica. “A Jornada de Seminários vem a cada ano direcionando as suas ações com o propósito da SUFRAMA em ampliar e aprofundar seu envolvimento com a agenda dos Estados de sua área de atuação (Acre, Amazonas, Rondônia, Roraima e os municípios de Macapá e Santana, no Amapá), além do envolvimento com instituições correlatas, em cumprimento ao seu papel de agência de desenvolvimento regional”, destaca Ana Maria Souza, coordenadora-geral de Estudos Econômicos e Empresariais da SUFRAMA, que está à frente da organização do evento.
A expectativa é que cerca de duas mil pessoas, entre empresários, técnicos dos setores público e privado, professores, pesquisadores e estudantes, participem da jornada.  A programação compreende 14 seminários sobre os seguintes temas: Minapim 2011 – Technologies for a Better World (Tecnologias para um mundo melhor); Desafios para um Amazonas Sustentável: Economia mais verde, limpa e inclusiva; Instituto Natureza e Cultura de Benjamin Constant: Sustentabilidade e Inovação no Alto Solimões; Produção Orgânica: Organização produtiva versus Perspectiva de Negócios na Amazônia; Turismo: Fator de sustentabilidade em países-sede da Copa do Mundo de Futebol; Sistema de Contas Nacionais e Regionais; IV Encontro de Negócios da Aquicultura da Amazônia; Desenvolvimento da Indústria da Mineração e Petrolífera no Amazonas: Desafios e oportunidades; A Amazônia e suas fronteiras no contexto da integração regional e do comércio exterior; 16º Encontro da Anipes – Estatísticas públicas e o desenvolvimento sustentável; A cobertura jornalística internacional na Amazônia nas áreas de C&T e Meio Ambiente; Sistemas locais de inovação e sustentabilidade; Soluções energéticas sustentáveis para a Amazônia e Conferência WITS (água, inovação, tecnologia & sustentabilidade) 2011: “Rio + 20, Água&Sustentabilidade”.
A programação completa da Jornada de Seminários pode ser acessada no site oficial da FIAM 2011 (www.suframa.gov.br/fiam). No caso do seminário “Minapim 2011 – Technologies for a Better World” (Tecnologias para um mundo melhor), as inscrições já estão sendo feitas na página eletrônica do Minapim  (www.suframa.gov.br/minapim). 

segunda-feira, 19 de setembro de 2011

Um país contra o estigma da corrupção


Um dos efeitos graves da corrupção é a redução da competitividade econômica. É algo mais danoso ainda para um país, como o nosso, já premido por impostos exagerados, os juros mais altos do mundo e o câmbio sobrevalorizado
Por Aguinaldo Diniz Filho

Há cerca de seis anos, em trabalho realizado no âmbito de seu programa de governança e anticorrupção, o Banco Mundial (BIRD) salientava serem a probidade e a ética fatores primordiais no combate à pobreza. No contexto do atual cenário brasileiro, com a recorrência de casos e denúncias de improbidade, o estudo ganha instigante atualidade, considerando que o dinheiro desviado deixa de ser investido na economia, na criação de empregos e renda e em áreas sociais.

Em outro relatório, o BIRD já havia estimado que a queda de 50% nos índices de corrupção possibilitaria redução de 45% no número de pessoas que vivem abaixo da linha da miséria. Se, ao longo de duas décadas, convivendo com "anões do orçamento", "vampiros da saúde", "sanguessugas", "mensaleiros" e outras criaturas do submundo da corrupção, conseguimos incluir 53 milhões de pessoas na sociedade de consumo, o que dizer então quando a presidente Dilma Rousseff terminar a sua faxina ética? A sociedade precisa apoiá-la integralmente nessa missão, pois o problema, além de envergonhar os brasileiros, recoloca em alto risco a credibilidade internacional da Nação, mitiga investimentos e semeia incertezas.   

A corrupção parece ser um estigma nacional. Em ranking elaborado pela ONG Transparência Internacional, no qual 178 nações são classificadas em ordem inversa à sua envergadura ética, o Brasil figura em 69º lugar (2010). Um dos efeitos graves da corrupção, segundo o relatório, é a redução da competitividade econômica. É algo mais danoso ainda para um país, como o nosso, já premido por impostos exagerados, os juros mais altos do mundo e, mais recentemente, o câmbio sobrevalorizado.

"a queda de 50% nos índices de corrupção possibilitaria redução de 45% no número de pessoas que vivem abaixo da linha da miséria."

Precisamos resgatar nossa competitividade, não só combatendo a improbidade, como também corrigindo aquelas distorções. Não podemos continuar assistindo à desindustrialização e ao aumento preocupante do déficit da balança comercial de setores da manufatura, como o têxtil e de confecção, cujo saldo negativo foi superior a dois bilhões de dólares no primeiro semestre deste ano. Os prejuízos são muito grandes, incluindo a letargia do Congresso Nacional provocada pelos efeitos do jogo político inerente à rotina das acusações e demissões, retardando o trâmite de importantes projetos.

Nós, brasileiros, somos resistentes. Assim, embora inevitável o constrangimento ante as denúncias diárias, a sociedade e os setores produtivos mantêm-se ativos e dedicados à agenda do trabalho e do desenvolvimento. Nossa economia está aquecida, os indicadores gerais do mercado de trabalho são positivos e deveremos fechar 2011 com razoável crescimento do PIB. Entretanto, poderíamos estar muito melhores. Por isso, mais uma vez o Brasil tem de se empenhar para vencer problemas internos, pois os sucessivos casos de corrupção incluem-se entre os mais graves empecilhos ao seu ingresso num duradouro ciclo de prosperidade.

Aguinaldo Diniz Filho é presidente da Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção (ABIT).

Fonte: http://www.administradores.com.br/informe-se/economia-e-financas/um-pais-contra-o-estigma-da-corrupcao/48078/